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ATENÇÃO: SPOILERS DO DOCUMENTÁRIO “MISS AMERICANA”.

No dia 31 de Janeiro o mundo finalmente pôde apreciar o documentário “Miss Americana” dirigido por Lana Wilson que acompanha Taylor Swift ao longo de um período mais recente de sua carreira, especificamente entre a Reputation Tour e o lançamento do álbum “Lover”.

Assim como a estreia do álbum Reputation, o documentário é sem sombra de dúvidas, de uma maneira menos abrupta, um ponto de virada na carreira e na forma que enxergamos a cantora.

A produção da Netflix inicia intimista com Taylor sentada em um piano e depois conversando com a câmera sobre seus antigos diários. Logo depois de algumas cenas de um show da Rep Tour, ela é vista em sua casa ainda de pijamas aguardando informações sobre se foi indicada para o Grammy 2018 e recebendo uma negativa de um membro de sua equipe pelo telefone. Essa cena já dita o tom do que veremos durante os 85 minutos de filme. Uma jornada dramática e ao mesmo tempo poderosa de uma das estrelas mais influentes do mundo.

Taylor cita o episódio em que Kanye West a interrompeu em seu discurso do VMA 2009 como algo transformador do ponto de vista de uma pessoa que queria ser levada a sério como uma cantora e compositora talentosa e bem sucedida apesar da pouca idade na época. Como disse Dr. Phil nas imagens a seguir, ele fez isso com uma garota de 17 anos porque ele podia. Se fosse um homem recebendo o prêmio muito provavelmente a interrupção no meio do discurso de agradecimento não teria acontecido.

Alguns momentos de partir o coração começam quando ela diz que quando percebeu que conseguiu tudo o que ela queria como; uma carreira gigantesca, estádios lotados de fãs e seu segundo Grammy por álbum do ano, Taylor revela que se sentiu sozinha e pensando “Eu não tinha um parceiro ao meu lado que com quem eu pudesse comemorar. Eu não tinha ninguém para conversar sobre aquela experiência. Eu tinha minha mãe, mas eu pensava ‘eu não deveria ter alguém para ligar agora?'” revelando toda a solidão que sentiu ao longo dos anos.

O drama Kanye e Kim com a gravação indevida de uma ligação telefônica com Swift sobre a música “Famous” em que ela concorda com o verso do rap que diz “a Taylor Swift e eu deveríamos transar” mas sem ter ideia da continuação da música que seria “eu fiz aquela puta virar famosa”, claro, é abordado no documentário como o principal motivo do desaparecimento de Taylor dos holofotes, ou de qualquer tipo de lente. As ofensas e criticas que surgiram na época foram o suficiente para convencer a cantora de que ela tinha que sumir, pois isso era o que ela achava que as pessoas queriam. Taylor ainda diz: “Entramos nesse ramo porque queríamos que gostassem de nós, porque éramos inseguros por dentro, porque gostamos do som dos aplausos que nos faziam esquecer de nossa baixa autoestima. E eu faço isso há 15 anos, e já estou cansada. Parece que agora é mais do que a música.” enquanto luta com as lágrimas em uma confissão com sua mãe e alguns membros da sua equipe. Essa parte foi talvez a mais cruel e triste do documentário. Eu pensava comigo que nunca importou o trabalho ou o esforço para parecer uma boa pessoa antes ou depois de todo o drama acontecer. Ser uma mulher poderosa e bem sucedida é muito difícil nesse mundo em que as pessoas apenas esperam seu primeiro deslize, não precisa ser um erro, mas sim um mal entendido para te derrubar e fazer você querer desistir de tudo.

O trecho tão esperado por nós, fãs e românticos incuráveis, chega mas muito mais contidos do que queríamos. Depois de contar como ela se sentia sozinha e amargurada na época em que estava compondo o Reputation, Taylor menciona que durante aquele período estava se apaixonando por alguém que tinha uma vida perfeitamente normal, equilibrada e bem-estruturada e que juntos decidiram por um relacionamento bem privado. Apenas uma imagem do ator Joe Alwyn é mostrada no longa em que ele abraça a cantora após um show. A maioria dos vídeos são gravados por ele mostrando ela (que amor) ao som de “Call It What You Want”. O momento talvez não veio com revelações como queríamos, mas com Taylor e Joe mais uma vez fazendo a escolha de se manterem reservados mesmo dentro de um documentário tão pessoal. Tanto que o rosto do ator mal aparece e ela não chega a citar seu nome.

O documentário ainda menciona o trio country Dixie Chicks, que ao falar mal do presidente de 2003 George W. Bush tiveram a carreira sabotada e sofreram grandes consequências por opinar sobre os atos de Bush durante a guerra contra o Iraque. Swift contou que no início da carreira muitas pessoas aconselharam que ela não seguisse o caminho das três mulheres de quem Taylor sempre foi fã. Swift seguiu os conselhos para continuar com a fama de boa garota que não quer entrar em problemas por opinar demais sobre algum assunto.

Uma das partes mais poderosas do filme foi quando Taylor contou sobre o julgamento do seu agressor sexual, o radialista que colocou a mão embaixo da saia da cantora ao tirar uma foto com ela. É emocionante e revoltante ao mesmo tempo quando Swift diz que o processo todo é tão desumano que ela nem se sentiu vencedora no final apesar de ter ganho a causa.

A diretora contou em entrevista para a Variety que em vários momentos quando não estava perto de Swift filmando pedia para que ela filmasse no próprio celular ou pedia para alguém da equipe da própria Taylor que estivesse próximo que começasse a filmar se algo muito crucial e muito importante acontecesse. E esse foi o caso da cena em que Taylor, seu pai Scott, sua mãe Andrea e alguns membros da sua equipe começam a discutir sobre a vontade da cantora de escrever em seu Instagram sobre política em um texto que fala o porque ela não votaria na senadora republicana Marsha Blackburn e apoiaria o democrata Phil Bredesen. A grande preocupação de Scott, no entanto, não é apenas sobre a segurança da filha mas também sobre a imagem dela perante os veículos de comunicação. Em determinado momento ele diz que não quer que falem que ela está atacando o presidente Donald Trump e ela rebate dizendo que não se importa com isso.

Chega a ser impossível para o pai e parte da equipe presente formada por homens tentar reverter e fazer Taylor não postar nada quando ela começa a falar sobre todas as coisas que Blackburn é contra, como por exemplo pagamento igualitário para mulheres ou a reautorização da lei da violência contra mulheres que envolve perseguição, tentando convencer os eleitores que esses são valores do cidadão cristão do Tennessee. Taylor já foi perseguida por vários homens. Ela até menciona no documentário para o cantor Brendon Urie quando um deles entrou em sua casa e dormiu em sua cama por alguns dias.

Mesmo Bredesen perdendo para Blackburn nas eleições, Taylor fez o que acreditava publicando sua opinião e conseguiu aumentar o número de jovens eleitores. A derrota a deixou muito abalada, mas Swift e sua mãe ainda se mostraram fortes e preparadas para fazerem uma grande campanha nas próximas eleições para que mais jovens se conscientizem, façam o registro e votem por um governo mais justo. É um enorme caminho andado para a artista que quando jovem era perguntada sobre sua opinião política e se negava a dar uma resposta, o que fez com que muitas pessoas pensassem que ela era uma conservadora de direita.

E agora Trump gosta das músicas da Taylor 25% menos… ela com certeza está muito chocada:

Ainda na tentativa de chamar mais jovens para as urnas para as eleições desse ano de 2020 nos Estados Unidos, Taylor lançou junto com o documentário a música “Only The Young” sobre a esperança de que a próxima geração escolha melhor seus representantes.

A realidade dura sobre todo esse período instável e difícil na vida de Taylor vem mais ao fim do documentário quando ela admite que artistas mulheres se reinventam bem mais do que os homens porque se não elas perdem o emprego. Como se a melhor fase das artistas mulheres fosse apenas nos primeiros anos de carreira. Tem a ver com o medo intenso e constante que nós mulheres temos todos os dias de um dia deixar de ser interessante o suficiente, ou de dar opiniões demais ao ponto de ninguém gostar mais de nós.

A artista que nós fãs dedicados vimos nesse filme é emocionalmente complexa, incrivelmente talentosa e uma força da natureza, mas isso não nos surpreende. Não nos choca. É só mais uma afirmação do que já sabíamos. Nenhuma notícia pretensiosa pode convencer mais ninguém sobre a personalidade dessa pessoa incrível que é Taylor Swift se todos assistirem a esse documentário.

“Miss Americana” está disponível na Netflix. Assista, e depois assista mais uma vez!

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